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Sistema de aspersores water mist em operação simultânea, ilustrando diferentes tipos de acionamento previstos na NBR 17186

Tipos de Sistema Water Mist pela NBR 17186: Como Escolher o Certo para Cada Risco

há 6 dias
4 min de leitura

A ABNT NBR 17186 define, em um único documento, tanto os tipos de sistema water mist quanto os objetivos de desempenho que cada sistema deve cumprir. Na prática de projeto, esses dois eixos são frequentemente tratados como sinônimos — e não são. Escolher "tubulação molhada" não implica automaticamente em "extinção". Escolher "dilúvio" não significa necessariamente "inundação total". A lógica correta é combinar os dois: primeiro define-se o que o sistema precisa entregar para aquele risco; depois escolhe-se a topologia que viabiliza essa entrega. Este artigo percorre esse raciocínio de forma objetiva, usando como referência direta o que a norma brasileira efetivamente prevê.

Os cinco objetivos de desempenho previstos na NBR 17186

A norma lista cinco objetivos distintos, e cada um compromete o sistema a entregar algo diferente: (1) extinção de incêndio — supressão completa da combustão; (2) supressão de incêndio — redução drástica da taxa de liberação de calor, sem necessariamente extinguir; (3) controle de incêndio — limitação do crescimento e proteção estrutural; (4) controle de temperatura — controle da temperatura dos gases no teto; (5) proteção contra exposições — proteção de estruturas adjacentes à origem do fogo.

Essa distinção tem consequências diretas no projeto: o objetivo de desempenho precisa estar declarado de forma explícita no memorial, porque é a referência contra a qual o desempenho do sistema será avaliado.

Os tipos de sistema previstos na norma

A norma descreve os tipos de sistema abaixo, além de variantes como o sistema setorizado (subdivisão em setores com válvulas de controle individuais) e o anel fechado (tubulações interligadas, alimentadas por ambas as extremidades).

Tubulação molhada: bicos automáticos, com água permanente na tubulação.

Sistema seco: tubulação com ar, nitrogênio ou gás inerte; a água só entra na linha quando o bico abre.

Pré-ação: tubulação com ar, que exige detecção suplementar para liberar a água.

Dilúvio: bicos abertos (não automáticos), acionados por detecção independente.

Aplicação local: descarga diretamente sobre o risco específico.

Inundação total: proteção completa do recinto, com todos os bicos operando simultaneamente. Nenhum desses tipos é, por si só, melhor que os outros: a adequação depende do risco, do objetivo declarado e dos ensaios de aprovação disponíveis para aquela combinação.

Como a classificação de risco de ocupação entra na decisão

A NBR 17186 classifica os riscos em leve, ordinário grupo 1 e ordinário grupo 2. Risco leve tem carga de incêndio baixa a moderada e taxa de liberação de calor de baixa a média. Risco ordinário grupo 1 apresenta combustibilidade baixa e taxa de liberação moderada. Risco ordinário grupo 2 combina quantidade e combustibilidade de moderada a alta com alta taxa de liberação de calor.

Essa classificação faz parte da caracterização do risco que o projeto precisa declarar. Um sistema de névoa de água de alta pressão ensaiado e aprovado para um risco não deve ser transposto para outro sem nova análise e ensaios correspondentes.

Combinando tipo de sistema e objetivo: a lógica de decisão no projeto

Uma sequência de decisão coerente com a lógica baseada em desempenho: (1) caracterizar o risco de ocupação; (2) definir o objetivo de desempenho requerido pelo risco e pelo cliente; (3) selecionar o tipo de sistema que operacionalmente viabiliza esse objetivo; (4) confirmar que existem ensaios de aprovação para aquela combinação de risco + objetivo + topologia.

O que importa é que a justificativa fique registrada: por que este objetivo, por que este tipo de sistema e por que não os outros.

É essa justificativa que permite à comissão técnica avaliar o projeto com clareza sobre o que o sistema se propõe a entregar.

Pontos de atenção na especificação

Três pontos merecem atenção: declarar um objetivo de desempenho e apresentar ensaios referentes a outro; escolher o tipo de sistema sem registrar por que as demais topologias foram descartadas; e adotar uma configuração mais ampla do que o risco exige — inundação total para um risco localizado, por exemplo — sem justificativa técnica.

Sistemas de water mist são aprovados com base em desempenho, não em prescrição. Isso significa que cada combinação de tipo + objetivo + risco precisa de ensaios específicos que a suportem. O processo de aprovação junto ao Corpo de Bombeiros normalmente envolve avaliação técnica de uma comissão especializada que analisa o memorial de cálculo e os registros desses ensaios antes de qualquer vistoria presencial.

O que documentar no projeto

Um projeto bem documentado registra: o objetivo de desempenho selecionado e sua justificativa técnica frente ao risco de ocupação; o tipo de sistema adotado e a razão pela qual outras topologias foram descartadas; os ensaios de aprovação que suportam a combinação escolhida; a classificação de pressão de operação (baixa, intermediária ou alta pressão ≥ 34,5 bar); e os limites dos materiais compatíveis — a norma lista explicitamente metais reativos e substâncias incompatíveis com água que excluem o uso de water mist.

Sistemas como o Marioff HI-FOG, que operam na faixa de alta pressão, são ensaiados e aprovados para riscos específicos — e o projeto precisa demonstrar que o risco protegido está dentro do escopo dessas aprovações. Para riscos fora desse escopo, novos ensaios são necessários independentemente do fabricante. Vale notar também que a Sistêmica Tecnologia teve participação decisiva na elaboração da NBR 17186.

Próximos passos

Se o seu projeto está em fase de especificação e você precisa justificar tecnicamente a combinação de tipo de sistema e objetivo de desempenho — ou revisar uma especificação existente — fale com nosso time de engenharia. Fazemos avaliação técnica sem custo para projetos em desenvolvimento. Entre em contato e descreva o risco que você está protegendo.

 
 
 

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